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O filme mais racista do mundo e o retorno de Spike Lee

Sim, existe um filme considerado como o mais racista do mundo e que foi muito aceito pela sociedade norte americana nos tempos de segregação.

Lançado em 1915 , “The Birth of a Nation” (O Nascimento de uma nação), o filme conta a história de duas famílias durante a Guerra de Secessão e uma suposta violência de um homem negro a uma mulher branca. Durante a história fica claro o papel da KKK (Klu Klux Klan) como a salvadora dos homens brancos perante a brutalidade dos homens negros. Além do heroísmo da KKK, o filme também retrata o assassinato de Lincoln.

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The Birth of a Nation

“The Birth of a Nation” possui um marco histórico por ser o primeiro filme a ser exibido na Casa Branca (supostamente com elogios calorosos do então presidente da época Woodrow Wilson – fatos que até então são contestados e sabemos o motivo) além dos feitos cinematográficos inéditos, o que gerou uma arrecadação enorme e muito sucesso. 

Acredita-se que o filme foi um dos responsáveis por trazer de volta à tona a KKK, que o adotou como uma ferramenta de recrutamento. “A Ku Klux Klan estava morta como organização  em 1915, mas quando o filme [saiu e se tornou um sucesso] o KKK foi refundado, capitalizado [no sucesso do filme] e na década de 1920 tornou-se uma organização massiva no pico de fervor nativista nos Estados Unidos ”, diz Paul McEwan à BBC Londres.

As notícias de um ressurgimento da KKK nos tempos atuais nos faz refletir sobre o papel de“O Nascimento de uma nação” ainda em 2018. Spike Lee com maestria, consegue inserir este ressurgimento em “Infiltrados na Klan” com passagens da “organização” já em 2017.

Em “Infiltrados na Klan” (BlacKkKlansman), Spike Lee em parceria com Jordan Peele (Get Out) é um filme baseado em fatos reais e conta a história de um policial negro no anos 1970 que consegue se infiltrar na KKK (Ku Klux Klan). No filme, Stallworth (John David Washington filho de Denzel Washington) conta com a ajuda do parceiro Flip Zimmerman (Adam Driver), o policial branco que foi o responsável por se infiltrar nos encontros presenciais.

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Fonte: Membros da Ku Klux Klan chegam para passeata em Charlottesville, Virginia. Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/AFP

Uma mistura de comédia e drama, permeiam o filme nos trazendo momentos de reflexão e por que não, revolta. Além da história dos anos 1970, Spike Lee nos mostra com maestria como anda a situação política racial nos tempos atuais com imagens do presidente dos EUA, dos protestos em Charlottesville e do movimento “Black Lives Matters” a favor das vidas negras.

Em tempos também em que presenciamos discursos bem semelhantes acontecendo em nosso país, onde o ex-líder da Klu Klux Klan elogiou ações claramente racistas com as seguintes palavras “Ele soa como nós. E também é um candidato muito forte. É um nacionalista. Ele é totalmente um descendente europeu. Ele se parece com qualquer homem branco nos EUA, em Portugal, Espanha ou Alemanha e França. E ele está falando sobre o desastre demográfico que existe no Brasil e a enorme criminalidade que existe ali, como por exemplo nos bairros negros do Rio de Janeiro”, não há como negar a importância do filme.

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Carteirinha de Membro da KKK recebida por Ron Stallworth

“Infiltrados na Klan” é baseado na biografia de Ron Stallworth’s. A história se passa no início da chamada “organização” e aponta o crescimento e aceitação cada vez maior com o passar do tempo, além do racismo cotidiano sofrido por Ron e os movimentos liderados por ativistas negros.

Há quem diga que acrescentar fatos ocorridos em 2017 ao filme, foram os únicos erros de Spike Lee ao dirigir “Infiltrados na Klan”. Não sou crítica de cinema, mas acredito que o assunto não poderia ser mais necessário e pontual no momento em que vivemos, não só nos EUA, mas no mundo inteiro, inclusive no Brasil com os rumos do novo governo. Mais didática impossível a relação estabelecida entre passado e presente.

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Spike Lee retorna às telonas de forma espetacular e muito necessária no momento em que vivemos. Atual, pontual e realmente muito necessário.

Assistam e levem os amigos para assistir. Quem sabe assim as coisas possam tornar-se mais escurecidas. Nas palavras de Spike Lee, “Infiltrados na Klan” é um grito de alerta, mas que talvez tenha chegado tarde demais.

Kelly Souza

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