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Racismo e consumismo | O poder dos influenciadores

Há muito tempo fiz um post aqui no blog sobre os produtos de beleza para cabelos crespos. Já fiz também alguns vídeos no youtube onde aponto marcas que decidiram investir em produtos voltados para cabelos crespos.

Meu questionamento sempre foi, as empresas criaram linhas de produtos para cabelos crespos mas continuam sendo racistas ou ajudam a mudar este cenário? Confesso que ainda não tenho uma opinião formada.

No início desse processo de empoderamento negro, principalmente das mulheres negras, quase não existiam marcas que se preocupavam em criar produtos para nós, de cabelo crespo. Quando as empresas perceberam que este era um público consumidor forte, obviamente resolveram investir. Money. 

No meio dessa situação envolvendo um YouTuber que decidiu ser racista (há muitos anos), que não passou despercebido na internet felizmente  dessa vez e acabou perdendo alguns patrocínios, parei pra pensar na importância das marcas neste cenário. Algumas marcas se posicionaram, alegando que não compactuam com discursos de ódio após a situação escancarada pela internet.

Obviamente que as marcas tinham quase que uma obrigação de se posicionarem, uma vez que o YouTuber é o seu representante, mas por que o contrataram? O YouTuber fez várias publicações e mesmo assim as empresas o contrataram. Então quer dizer que se não houvesse essa revolta na internet, as empresas continuariam relacionando seus nomes à uma pessoa racista?

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Nossas vidas importam mesmo ou somos somente consumidores? | Fonte: Nappy

É nossa obrigação observar estas situações e não compactuar com as ações. Várias empresas se dizem contra os discursos homofóbicos, racistas e gordofóbicos mas estão diretamente ligadas às quem os faz. E por que consumimos sem nos atentar a isso?

O mercado é assim. Quem tem mais números recebe parcerias, patrocínios e “mimos” mesmo fazendo um imenso disserviço nas redes sociais e canais do YouTube. O marketing existe simplesmente para criar necessidades, muitas vezes o jovem consome produtos indicados por estes “influenciadores” por gostar das piadas, vídeos e fotos deles. Aparentemente não tem sido algo bom.

Outro ponto que sempre me deixa irritada e questionando o consumismo é quando vejo os times de influenciadores das marcas. Sempre procuro por representatividade e quase nunca encontro. Empresas que dizem prezar pela diversidade, mas quando escolhem suas representantes, optam sempre pelo padrão. Mal vejo mulheres negras de pele escura e cabelo crespo. Cabelo crespo não vende, mas vocês são contra o racismo. O que têm feito para mudar isso? A maioria nada.

No final das contas, este episódio serviu para alertar aos YouTubers e famosos influenciadores, que o racismo, homofobia e qualquer outro tipo de preconceito não será mais tolerado. E a gente sabe quem são os responsáveis por propagar o ódio, se nós sabemos as marcas também sabem, então porque há tanto lixo sendo produzido e patrocinado? Novamente money.

Não compre de quem tem seu nome ligado ao preconceito e racismo. Vamos continuar falando, causando o incômodo, tirando da zona de conforto aqueles que até ontem usavam máscaras em festa de gala dizendo estar homenageando os escravos.

Novamente, nós por nós.

Kelly Souza

 

 

 

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