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Joelle, colorismo e a segunda temporada de Dear White People

Se você ainda não assistiu a segunda temporada de Dear White People (Cara gente branca) disponibilizada na Netflix na última sexta-feira, vá assistir agora!

Infelizmente a divulgação e promocionais da série não são priorizadas pela plataforma como é feito com outras séries com temáticas diversas, mas nós fazemos este trabalho com gosto, apesar de continuar cobrando maior divulgação dessa série maravilhosa (já sabemos o motivo da falta de divulgação não é mesmo?) white tears

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Imagem: Netflix Divulgação

A segunda temporada tem 10 episódios e continua com o formato de destaque de um personagem por episódio, que desta vez funcionou bem melhor.

*********ALERTA DE SPOILER**********

Um dos melhores destaques desta temporada que deveria ter acontecido na temporada passada, foi o episódio da Joelle. Joelle, mulher negra, super inteligente e capacitada mas que sempre ficou à sombra de Sam. Joelle deixa bem claro seu descontentamento e enfatiza o fato da amiga ter a pele clara e por isso ser sempre priorizada nas relações.

joelle cara gente branca

O que já falamos por aqui é a questão do colorismo em nossa sociedade e em nossas relações familiares e sociais. Na academia, no mercado de trabalho e até mesmo em nossas famílias, existem imposições e a cultura do “quanto mais claro melhor” ainda permanece.

Joelle mesmo sendo uma mulher espetacular, fica sempre em segundo plano de acordo com ela, pelo seu tom de pele.

Práticas de embranquecimento da população foram comuns nos EUA e no Brasil, num passado não tão distante (pois ainda acontece).  O incentivo na “melhoria das raças” como era conhecido o embranquecimento, contava com toda a mídia e eventos que ressaltavam a importância dos negros “mais claros”.

Segundo a autora Giovana Xavier Nascimento, em seu texto “Os perigos dos Negros Brancos: cultura mulata, classe e beleza eugênica no pós-emancipação (EUA,1900-1920)”, as mulheres negras de pele escura não eram representadas:

“Nos passados presentes, as representações das mulheres escuras precisavam ficar
de fora. Elas eram incongruentes com o projeto de feminilidade respeitada
(onde se incluía a beleza eugênica) que a elite de cor edificava com suas centenas
de portraits de novas mulheres. Mulatas refinadas, instruídas e sofisticadas, como
a representante da “espécime de Amtour Work ”, registrada pela câmera de W. W.
Holland em texto onde “professores” e “líderes” poderiam aprender a escolher
“boas fotografias” e a disseminar a mesma prática entre os demais membros da raça.”  

De acordo com a denominada “pigmentocracia” que nada mais é do que quanto mais pigmentada é uma pessoa, mais exclusão ela sofre, enfatizando os traços físicos e fenotípicos como cabelo crespo, nariz e lábios grossos.

DcxwFK4V0AIJ-xgEm DWP, Joelle diz que prefere não levar o namorado à sua casa, com medo que ele se encante por Sam e se esqueça dela, como todos os outros fizeram. O motivo: o tom da pele. Acredito que quase toda mulher negra de pele escura já passou por momentos assim.

Como ficou bem explícito em DWP, o espaço existe para as duas mulheres porém ainda existe um certo privilégio para os negros de pele clara que deve sim ser discutido. Que ninguém é mais ou menos negro que ninguém é óbvio, porém é necessário que os privilégios sejam colocados em pauta.

 

Obrigada por isso DWP. Obrigada por ter dado este destaque à Joelle e fazer com que pensemos mais sobre o colorismo que tanto nos une e ao mesmo tempo nos separa.

E o episódio com destaque para a Joelle é somente um dos outros maravilhosos desta temporada que está incrível. Destaques necessários, pontos que devem ser discutidos e o dedo na ferida. Eu nunca me senti tão representada por um personagem como me sinto com Jolle. E vocês o que acharam?

P.s: um ponto negativo – Joelle merece um namorado decente e não gostei do personagem que colocaram para fazer este papel.

FONTES:

Tainan Maria Guimarães Silva e Silva. O COLORISMO E SUAS BASES HISTÓRICAS DISCRIMINATÓRIAS DISPONÍVEL EM http://www.revistas.unifacs.br/index.php/redu/article/viewFile/4760/3121
NASCIMENTO, Giovana Xavier da Conceição. Os perigos dos Negros Brancos: cultura mulata, classe e beleza eugênica no pós-emancipação (EUA, 1900-1920). Revista Brasileira de História, vol. 35, nº 69, p.163

 

Kelly Souza

 

 

 

 

 

 

 

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