Cultura, feminismo, música

Janelle Monáe | Dirty Computer e Afrofuturismo

Janelle Monáe ,que dispensa apresentações, atriz e cantora, lançou hoje seu novo álbum visual de 44 minutos na MTV norte americana. Depois de cinco anos desde o seu último álbum, Janelle Monáe que esteve no cinema com Estrelas além do Tempo e Moonlight, retorna com um álbum repleto de significados e uma longa turnê pelos EUA.

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Segundo a nota liberada pela assessoria de Janelle, o  álbum intitulado “Dirty Computer”  é “uma história visualmente estonteante de uma jovem chamada Jane 57821 (Janelle Monáe), que vive em uma sociedade totalitária de futuro próximo, onde os cidadãos são chamados de “computadores”. A aclamada atriz Tessa Thompson ( Thor , Selma, Westworld ) co-estrelas. Uma imagem oportuna e comovente da Emoção, a Dirty Computer explora a humanidade e o que realmente acontece com a vida, a liberdade e a busca da felicidade quando a mente e as máquinas se fundem, e quando o governo escolhe o medo da liberdade.”     

Com referências e colaboração do saudoso e inesquecível Prince, as músicas já liberadas de Janelle Monáe mostra a liberdade da mulher sobre a sua sexualidade além de explorar do afrofuturismo no conceito do álbum e de suas músicas.

Geralmente Janelle é questionada pela imprensa sobre sua sexualidade e sempre afirmou que é “sexualmente liberada” (em tradução literal). Em entrevista para o site Rolling Stone, Janelle deixou claro o que o clipe de Make me Feel nos mostra, a liberdade para sermos quem quisermos ser: “Espero que isso aconteça. Que as pessoas se sintam mais livres, não importa onde estejam em suas vidas, que se sintam célebres. Estou me sentindo culpada por não poder ser apenas … ou é isso ou é isso, é preto ou é branco. Mas há muito cinza “

jm-dirtycomputerQuando foram liberados os vídeos de “Make me Feel” e “Pynk” fiquei maluca para ver o álbum visual completo. A expectativa é que o lançamento de Dirty Computer tenha um impacto parecido com Lemonade, tanto visual quanto musicalmente.

Desde o seu primeiro álbum, Janelle já mostrou a forte influência do Afrofuturismo sobre sua música e seu visual, o que me deixa imensamente feliz.

“Django Jane é um espírito que nunca morrerá. Toda mulher negra – toda mulher – deve se sentir como: ‘Bem, ok, Django Jane é uma parte de mim.’ Eu não acho que sou só eu que pareço estar cansada, elas estão chateadas. Cansada de protestar, cansada de ter que ver o patriarcado falar o tempo todo. É como se fosse um, “Cale a boca, saia daqui”.”

O álbum traz a cultura negra mostrando o poder principalmente da mulher negra, o poder de fazer o que bem entende com sua sexualidade e com seu corpo.

dirty computer janelle monaeJanelle completa sobre seu novo álbum: “Eu acho que você pode usar música, você pode usar letras, você pode usar arte, como uma maneira de protestar. Como forma de revidar. E como uma maneira de se comunicar. Sim, eu pensei que era melhor comunicar não apenas em uma entrevista ou um post no Twitter, mas em algo que pode durar a vida toda.”

O site Rolling Stone define Monáe com uma artista de “alma carregada de sintetizadores de Stevie Wonder e a doçura do R&B dos Jackson 5”. Seu talento para a atuação e dança são visíveis desde sempre.

janelle monae dirty computer.jpgAcompanho Janelle Monáe desde o seu primeiro álbum (amo todas as suas músicas) e sempre me inspirei em sua arte. Muita coisa mudou desde The ArchAndroid e mudou para melhor. Não que não queira ver essa mulher maravilhosa dançando como em Tightrope , mas este lado empoderado e cheio de personalidade me encanta ainda mais.

O Afrofuturismo não é algo novo, mas Janelle Monáe aparece mais uma vez num momento onde estamos vivendo as emoções de um filme como “Pantera Negra” que arrecadou mais de um bilhão de dólares na bilheteria mundial. Nós podemos, sim!

janelle-monae-O álbum conta com a colaboração de Brian Wilson, do The Beach Boys, rimes (‘PYNK’), Pharrell Williams (‘‘I Got the Juice’) e a maravilhosa Zoë Kravitz (‘Screwed’). O álbum tem 14 músicas e teve participação direta de Prince em sua criação, inclusive no sintetizador de “Make me Feel” (que já é uma das minhas favoritas).

O álbum visual foi transmitido pela MTV nesta madrugada e mutualmente pela MTV Brasil mas como mera mortal que sou, estava dormindo  e se você ainda não viu, pega o link e divirta-se. Ainda sem legenda, mas muito maravilhoso! 

Janelle trouxe a essência de Prince e a força de Sun Ra com todo o seu Afrofuturismo. Para quem não a conhece ou nunca se interessou, deixo aqui esta obra prima da música. Apreciem de coração e mente aberta.

O álbum está maravilhoso e superou todas as minhas expectativas.
Sejam bem vindos mais uma vez ao Afrofuturismo de Janelle Monáe e só devemos agradecer.

Kelly Souza

 

 

 

 

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