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Histórias Crespas | Jéssica J Palma

Vamos à mais uma história crespa? Quem compartilha a história de hoje é a linda Jéssica do Cultive seu Black

” Olá sou a Jéssica J Palma, tenho 27 anos, hoje fazem mais de 2 anos que tenho cabelo crespo natural.

Tudo começou quando comecei a conhecer meu namorado Mauricio Nishihara, nós íamos a um casamento de seu amigo e ele foi comigo ao salão de cabeleireiro aonde viu pela primeira vez como era o procedimento da progressiva, meu cabelo saía muita fumaça “parecia uma panela em chamas” e ele ficou horrorizado com aquela imagem, meu couro cabeludo dolorido e ai depois de todo processo ele veio e me fez a seguinte pergunta: ‘Pretinha,porque você alisa seu cabelo?’

historias crespasAcho que por muito tempo eu nunca havia parado pra pensar sobre, mas sabia que era por conta das zoações nos tempos de escola, eu só dizia que era mais pratico e ele foi me falando sobre o quanto ele achava bonito nos campeonatos de skate as mulheres negras com seus cabelos naturais, eu parei, pensei e decidi começar a transição.  Praticamente eu comecei a transição com mega hair cacheado para eu começar a me acostumar, porque eu não sabia a textura do meu cabelo,certo dia vi que minha raiz estava muito alta e a textura estava diferente do aplique e decidi que precisava coloca-lo novamente. Achei uma cabeleireira batissismo no centro de campinas (ao mesmo tempo que foi ruim, foi bom) porque ela colocou o cabelo de maneira que machucou muito meu couro cabeludo, formou bolhas e feridas com o tempo. Fiquei frustrada porque além do aplique mal colocado eu fui demitida.

De madrugada vi um vídeo de transição de uma preta linda, não me recordo o nome dela e foi através daquele vídeo que no dia seguinte peguei meu pagamento do ultimo emprego, fui direto ao salão aonde minha cabeleireira Helena cuidou do meu cabelo por 20 anos e decidi fazer o grande corte. Ela sabia o quanto eu amava cabelos longos e lisos e quando disse que queria deixa-lo natural ela ficou muito feliz e surpresa, tirou com muito prazer e cortou bem curtinho.

jessica

Aí veio outra barreira. Eu queria cachos e descobri que meu cabelo era crespo e não formava cachos, eu achava horrível o cabelo crespo tipo 4c, tinha aquele pensamento racista preconceituoso estereotipado, até que decidi busca inspirações em pretas com o cabelo igual ao meu já que a Helena disse que não iria fazer permanente no meu cabelo pois estava lindo natural.

Encontrei blogueiras como Eva Lima, que me ensinaram muito como cuidar do cabelo crespo, mostrar o quanto ele era versátil, foi dai que decidi fazer a pagina “Cultive seu Black”ali comecei a mostrar como cuidava do meu cabelo e aprendendo com outras pretas como cuidar, porque antes não tinham tantas blogueiras crespas, ele foi crescendo com ajuda das tranças também.

Tive muito apoio do meu namorado porque minha mãe achava loucura e não gostava do meu cabelo antes, alguns amigos me apoiaram e outros …Não! Ouvindo xingo na rua de pessoas desconhecidas, mas nunca pensava em desistir,eu colocava umas tranças só para as pessoas parassem de me xingar e também porque achava lindo.

Nesse decorrer do tempo fui em muitos encontros sobre cabelo que foi através deles que conheci a militância, conheci pessoas maravilhosas que me ajudaram a desenvolver o habito de ler mais, buscar mais conhecimento e de passar para outras pessoas que não tivessem acesso.

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Quando decidi tirar as tranças foi com muita insistência e apoio de uma amiga de trabalho Thamires Ortman, mandando foto de amigas dela (porque ela é branca e loira e acompanhou uma boa parte da minha vida de militância que não foi fácil) e queria ajudar de alguma forma, tirei as tranças e hoje ele esta enorme, forte bonito e uso ele sim sem definição e muito volume igual minha inspiração Eryka Badu.

Hoje me sinto muito feliz e realizada,mais completa na verdade e amo a pessoa que me tornei aos trancos e barrancos mas estou aqui e desde então foi através dessa iniciativa que hoje organizo uma vez por ano encontro de crespas e cacheadas de campinas com a intenção de passar informações sobre a cultura afro e a resistência do povo preto, mostrar que diversão e conhecimento podem andar juntas,também que conheci o role das pretas aonde se unem em encontros para fortalecimento exclusivo para mulheres negras,utilizo das redes sociais para passar informação e adquirir também e mostrar que mulher preta pode SIM usar o cabelo como quiser sem ser imposta pela sociedade o que é melhor pra ela.

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Eu não estou fazendo nenhuma apologia ao cabelo crespo, dizendo que mulheres negras que alisam são menos negras ou que você tem que parar de alisar amanha, nada disso, quero dizer a você preta que seja livre para ser quem você é independente do cabelo que você esteja.

E olha que tudo isso começou apenas porque decidi ser eu.”

Gostou da história da Jéssica? Compartilhe também a sua! Encaminhe sua história para o e-mail belezablackpower@gmail.com e apareça por aqui.

Kelly Souza
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