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Inspirações Crespas – Kelly Marques

Os dias às vezes são extremamente corridos e tensos. Nos esquecemos de algumas coisas e às vezes até de quem nos fortalece.

Apesar da correria, gosto de contar história e gosto mais ainda de ouvi-las. Há um tempo pedi para que vocês me enviassem seus relatos de transição capilar para que pudesse publicar aqui no blog. O tempo passou e eis que agora vamos começar a publicar os relatos e histórias que nos inspiram.

A primeira história a ser contada, é a trajetória da Kelly Marques. Vamos lá!

“Oi xará, 

Tudo bom? Vi a chamada para enviar depoimentos de BC e transição e resolvi compartilhar a minha história.
Desde que me entendo por gente, minha mãe alisava meu cabelo. Começou quando eu tinha por volta de 5 ou 6 anos. Eu usava henê. A raiz crescia um pouquinho, eu alisava e fazia escova. E quando surgiu a chapinha, virei adepta. Não preciso nem dizer que chuva e mergulho em piscina eram proibidos, né?
E assim foi até a vida adulta. Em meados de 2012, quando comecei a combinar o henê com a escova progressiva, eu não precisava escovar o cabelo sempre que o lavava e ele ficava sem volume. Era maravilhoso, mas a alegria durou pouco. Como comecei a ter dificuldade em achar henê, fazia só progressiva. Às vezes ia ao salão e às vezes comprava o kit para fazer em casa. Mas era muito tempo e muito dinheiro gastos em salão para um procedimento que não dava tanto resultado. Sem contar que comecei a ter alergia ao produto e meu couro cabeludo coçava e ficava ferido.
Fui perdendo a paciência de passar o produto e espaçando cada vez mais as aplicações. Também já não tinha mais paciência para escovar os cabelos no clima quente que faz na minha cidade. Eu terminava de escovar os cabelos e a raiz já estava inchada por conta do calor e do suor. Nesse intervalo em que fiquei sem usar a química no cabelo foi que tudo começou.
Fui começando a sentir a textura do meu cabelo e pensando comigo mesma que eu nem ao menos sabia como era meu cabelo originalmente. Usei muito coque e texturização com bigudins nessa época e tinha paciência zero para cuidar do meu cabelo que já estava bem danificado. Sempre pensando que poderia ser interessante conhecer o meu cabelo natural.
Cada vez mais curiosa com aquela textura até então desconhecida pra mim, comecei a pensar em raspar a cabeça e deixar o cabelo crescer naturalmente. A ideia ficou pairando por alguns meses até que um belo dia, 17 de junho de 2015, fiquei navegando por um bom tempo na internet, só buscando inspiração em mulheres negras de cabeça raspada (até então eu não conhecia a expressão big chop). No mesmo dia decidi que iria me livrar de todo o comprimento com química. Sob protestos da minha mãe e choque da minha irmã, fui ao cabeleireiro e pedi pra passar a máquina 2. Confesso: por um breve momento, bateu a dúvida. Pensei em voltar atrás. Mas eu nunca fui super apegada a cabelo e logo em seguida lembrei do que sempre digo, cabelo cresce. Após o BC, saí do salão me sentindo super leve, livre e feliz.
Nos primeiros dias estranhei a falta de cabelo para mexer, mas também achei o máximo simplesmente acordar e sair sem precisar me preocupar em ter que pentear ou ajeitar os fios. Daí pra frente, comecei a ler mais sobre cabelo natural e seus cuidados. Também comecei a seguir várias meninas que passaram pelo mesmo processo e que agora tinham cabelos maravilhosos. E, claro, estava ansiosa para saber como era meu cabelo natural.
kelly_marques
Passei a registrar mês a mês o crescimento do meu cabelo no Instagram (@kmarques) e ainda o estou conhecendo, testando técnicas e finalizações, vendo o que funciona ou não pra mim. Acima de tudo, estou amando essa minha nova versão. Posso dizer que não me arrependo da minha decisão e que valeu muito a pena. Falar de transição, big chop e cabelo natural parece um assunto banal. Mas não é. É aceitação. É resistência. É uma grande mudança. Eu me enxergo como uma pessoa completamente diferente hoje. Minha autoestima aumentou, meu modo de pensar mudou, meu estilo também mudou bastante. Passei a me amar mais e amar meu cabelo como ele é. Acho que nunca fui tão feliz. E o meu maior fantasma, o volume, hoje é o meu grande amigo. Quanto mais, melhor.
Obrigada!”
Mande você também seu depoimento e apareça aqui no blog!
Abraços e até a próxima!
Kelly Souza

 

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