cinema, empoderamento

Game of Thrones, Senhor dos Anéis, cultura nerd e racismo

Então começou a tão esperada nova temporada de Game of Thrones da qual sou muito fã, inclusive. Entrando no hype que a série acaba trazendo, o questionamento sobre a diversidade nas obras de fantasia também ressurgem.

John Boyega (Star Wars: o Despertar da Força) foi quem levantou a bola dessa vez sobre a falta de diversidade nos filmes e séries de fantasia atuais, baseadas em obras literárias, como Senhor dos Anéis e Game of Thrones. “Não há pessoas negras em Game of Thrones. Você não vê uma pessoa negra em O Senhor dos Anéis, disse em entrevista à revista “GQ”.

-Não estou pagando para sempre ver só um tipo de pessoa na tela. Você vê diferentes pessoas, de diferentes origens e culturas, todos os dias. Mesmo se você é racista, é preciso viver com isso.-.png

A questão já havia sido levantada na série “Cara gente branca”(Dear White People) disponibilizada em streaming pela Netflix. Sou fã de fantasia, tanto na literatura quanto no cinema e tv, porém até pouco tempo não havia pensado nessa falta de representatividade. Às vezes por achar comum ter somente pessoas negras em um filme ou numa série de tv, nunca sequer notamos o quão racista isso é.

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Cara Gente Branca (Dear White People)

 

Deixo bem escurecido aqui que adoro os dragões

Além de Game of Thrones e O Senhor dos Anéis tivemos outro exemplo de racismo e intolerância quando foi divulgado que a atriz que interpretaria Hermione na peça “Harry Potter e a criança amaldiçoada”( “Harry Potter and the cursed child “) seria interpretada por uma mulher negra. Obviamente alguns fãs ficaram revoltados pela mudança de etnia da personagem. A própria autora rebateu a polêmica, afirmando que jamais mencionou em seus livros a raça da personagem “Eu tinha um monte de racistas me dizendo que ‘ficaram brancos (pálidos)’, pois Hermione deveria ser uma mulher branca. Afirmo com bastante firmeza que Hermione pode ser uma mulher negra com a minha bênção absoluta e entusiasmo.” A autora dos livros apoiou, mas o que conta para grande parte do público é o que foi passado pelo cinema.

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A atriz Noma Dumezweni que interpreta Hermione na peça Harry Potter e a criança amaldiçoada

Voltando a tal “polêmica” que não deveria ser, pois John Boyega levantou um fato (realmente não há personagens negros em GOT e quando aparecem são escravos), muito se justificou a ausência dessa diversidade levando em consideração à liberdade de escrita do autor dos livros. Até ai, tudo bem, compreensível até certo ponto. Os fãs defendem Tolkien por exemplo, afirmando que o autor não era racista e que jamais teria sido em suas obras, mesmo optando por escrever sobre elfos e árvores falantes , mas não incluir negros. Tudo bem. Vamos lá.

Porém, ás vezes penso que é uma questão de interpretação. O autor dos livros pode não ter especificado que tal personagem é branco, mas o diretor do cinema acredita que se coloca-lo negro, terá problemas ou baixa audiência. Acredito também, conforme vários fãs estudiosos da biografia e das obras do autor , que muitas vezes a relação do tom da pele nem sempre existia ou tendenciadas a ser de pele “queimada de sol” ou “bronzeada” (o que não aconteceu).

Em relação à GOT, só posso lamentar mesmo. As obras são enormes, confesso que parei a leitura no quarto livro por falta de tempo e paciência, mas adoro a série e me sinto extremamente à vontade para questionar essa falta de diversidade assim como John. Mas o que mais me espanta é o fato das pessoas não negras, fecharem os olhos para essas questões, demonstrando uma verdadeira falta de empatia. Posso gostar de uma série, mas posso criticá-la e levantar questões que acho necessária.

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Representatividade importa, sim! Na tv, no cinema, nos livros… Estamos em 2017 e não nos anos 20, talvez naquela época não se importassem com isso, mas agora nos importamos e muito.

Lembrando que este site não é um site de cultura nerd, mas temos um belíssimo texto no Collant sem Decote que fala muito bem sobre a questão histórica envolvida nessas obas

“De acordo com um artigo de história da BBCPessoas negras viveram na Grã-Bretanha por séculos, mesmo que as circunstâncias tenham variado muito. Nesse mesmo texto, também é pontuado que: Registros mostram que homens e mulheres negros viviam na Grã-Bretanha em números menores desde pelo menos o século 12″.”

A propósito, também teremos um lançamento em streaming do anime “Death Note” onde todos os personagens são ocidentais e um deles negro. Nem preciso escrever sobre qual foi o questionamento de grande parte das pessoas.

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Elenco de Death Note

As pessoas simplesmente amaram o novo filme da Mulher Maravilha, não é mesmo? Inclusive eu. Representatividade. Só foi possível a realização desse filme com traços perfeitamente feministas, acredito que pelo momento em que vivemos o que me faz pensar se não existe motivo maior para continuarmos levantando a bandeira da diversidade. Por que quando falamos em mais mulheres nos filmes em papéis de poder, não podemos também pedir por mais personagens negros? Não dá para se ter as duas coisas?

Representatividade nunca é demais e vamos continuar brigando por isso, sim. Queiram vocês ou não.

 

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