música, representatividade

Respeitem meus cabelos, brancos | Chico César

“Respeitem meus cabelos, brancos / Chegou a hora de falar / Vamos ser francos
Pois quando um preto fala / O branco cala ou deixa a sala / Com veludo nos tamancos”

É assim que Chico César fala sobre as questões raciais, da estética negra, da ancestralidade e da negritude brasileira.

Nascido em janeiro de 1964 no município de Catolé do Rocha na Paraíba, casado com a atriz paraibana Bárbara Santos. Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba e poeta participante do grupo de poesia de vanguarda Jaguaribe Carne.

Após turnê pela Alemanha, Chico deixou o jornalismo e passou a dedicar-se a música, inicialmente na banda Cuscuz Clã. 

Após o lançamento do seu segundo álbum, Chico César alcançou o sucesso nacional e internacional, inserido na cultura negra com participações do zairense Lokua Kanza e do coral negro da Família Alcântara.

“Não sei se eu fosse um dinamarquês eu iria fazer músicas valorizando o fato de ser branco e louro. Mas o fato de ser descendente de negros e índios nordestinos me serve como inspiração, porque sinto falta desses modelos, sinto falta da presença, na mídia, do descendente do índio, do negro. E muitas vezes os papéis sociais que eles representam são ainda caricatos: é o artista (no meu caso, por exemplo), é o jogador de futebol. Por outro lado, ainda temos poucos geógrafos negros, historiadores, psicanalistas, ministros. Trazer essa presença para a música, ajuda as pessoas a lembrar. E eu faço isso de um jeito mais leve, nunca de um jeito ranzinza, porque é da minha personalidade dizer coisas duras de um jeito bem-humorado, utilizando a metáfora, com a possibilidade do riso, sem, no entanto, perder a força.” Chico César em entrevista ao site A Verdade 

Chico esteve como Secretário de Cultura da Paraíba por dois anos e fala com muita ênfase em relação à falta de investimento e descaso com a cultura nacional por parte do governo. “Cultura passa a ser vista como algo ligado à cidadania, ao universo simbólico, não apenas arte. A cultura, apesar de ser base, não é priorizada nos orçamentos dos governos, como também não foi priorizada nas minhas gestões.”

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Em 2015, em seu álbum mais recente, “Estado de Poesia” lançado pelo Laboratório Fantasma Chico fala sobre política na faixa “Os reis do Agronegócio” (uma das duas únicas faixas que não são de sua própria autoria) “Vocês se elegem e legislam feito cínicos / Em causa própria ou de empresa coligada / O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos / Que bancam cada deputado da bancada / Até comunista cai no lobby antiecológico / Do ruralista cujo clã é um grande clube / Inclui até quem é racista e homofóbico / Vocês abafam mas tá tudo no YouTube”.

Desde Mama África e Respeitem meus cabelos, brancos Chico César enriquece a música brasileira com sua poesia e exaltação à cultura negra.

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