representatividade

Representatividade, onde?

Durante um show maravilhoso (Baiana System, meu mais novo amor e se não conhece, vá conhecer agora) num sábado qualquer, parei por um minuto para observar as pessoas que estavam naquele lugar. Uma miscelânea de traços, tons de pele e estilos.

Por mais maluco e perturbado que possa parecer, eu costumo observar os estilos e os cabelos das pessoas onde estou. Sempre faço isso. E dessa vez me senti extremamente feliz ao perceber a quantidade de cabelos naturais que identifiquei naquela noite.  

Ainda não havia a quantidade de negros que gostaria que tivesse, por ser um show de uma banda com cultura sound system e com letras de luta. Fiquei feliz de verdade com o que vi, mas ainda podemos melhorar hein BH?

Resolvi então fazer um paralelo, novamente sobre o que temos visto sobre cultura e estética negra por ai. Se as pessoas (homens e mulheres) negras estão assumindo mais, se identificando e optando por usar seus cabelos naturalmente crespos, porque ainda continuamos não vendo essa realidade nos meio de comunicação e publicidade?

“Mas, Kelly, a marca de roupas XXX fez uma campanha só com negros, você esqueceu?” Não, não me esqueci e digo mais, a campanha foi linda. Mas não basta. “Mas você nunca está satisfeita, credo.” Não, não estou.

AdidasPink1.jpg
Imagens Campanha Adidas

Tenho observado algumas “pessoas públicas” que ao aparecerem na TV, desistem dos seus cabelos naturalmente crespos optando pelos cacheados. Julgo essas pessoas? Claro que não. Julgo, questiono e me revolto com o sistema. Ao mesmo tempo em que essas mulheres podem ter escolhido mudar para estar nesses ambientes, penso que na verdade a influência maior foi de um sistema historicamente racista que a convenceu de que ela precisa se adaptar para ser aceita (vide programas de um canal branco e gourmetizado).

Se realmente estamos progredindo porque ainda vejo negras de pele retinta e cabelo crespo (crespo mesmo, tipo 4c) somente em alguns seguimentos específicos? Ainda somos a tal beleza exótica?

Antes de qualquer questionamento, não estou dizendo “a partir de hoje nada de mulheres negras de pele clara e cabelos cacheados” na TV, cinema, comerciais de cosméticos… Muito pelo contrário, penso que existe espaço para todas nós. Porém, onde está a tal inclusão, representatividade e empoderamento que todos falam por aí?

Já escrevi várias vezes aqui que adoraria uma mídia onde tivéssemos mais Lupitas Nyong’o nas capas de revista, comerciais, posts de cosméticos nas redes sociais e novelas, mas infelizmente a cada retrocesso que observo tenho a certeza que ainda estamos muito longe disso.

Continuamos lutando, falando, nos impondo e reivindicando o nosso lugar de fala e representatividade nesses espaços.

E marcas, revejam o conceito de vocês quanto à estética negra e representatividade. Ao que me parece, não anda funcionando tão bem quanto vocês analisam.

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