empoderamento, racismo, representatividade

A saúde mental do povo negro ou sempre seremos nós por nós mesmos

Durante alguns anos lendo e peregrinando por aí (nem tanto quanto gostaria, por falta de tempo e disposição), presenciei muita coisa “errada” e muita gente se apropriando de lugares onde jamais deveriam estar. São fatos.

Já discuti muito sobre esses temas com pessoas brancas (apropriação cultural, gente branca de tranças, brancos fazendo sucesso no rap e os pretos não) e sabe o que consegui com isso? Gastrite, refluxo gastroesofágico e transtornos mentais.

Percebi nos últimos anos (e os números também não me deixam mentir) que nosso povo vem adoecendo, consequência da militância e os percalços da vida de uma mulher ou homem negro nesse mundo.

Posso estar pensando errado ou até mesmo agindo errado e tenho certeza de que muitos pensam bem diferente, porém tenho pensado em novas estratégias. Optei por não discutir com pessoas brancas sobre racismo, apropriação cultural ou situações vivenciadas por negros, porque eles não entendem e ainda nos acusam de vitimismo e coisas do tipo.

Minha real decisão: discutir com mulheres negras sobre empoderamento, jovens negros sobre oportunidades de trabalho e estudo, homens e mulheres negras sobre solidão, sobre o genocídio dos nossos jovens, sobre a situação carcerária dos negros neste país.

Confesso que não tenho formação acadêmica e nem conhecimento suficiente para discutir alguns destes tópicos, mas adoraria ter, por isso vou atrás e pretendo aprender muito e adoraria compartilhar esse conhecimento com os meus.

Este não é um artigo acadêmico. Não esperem palavras difíceis ou rebuscadas, pois a intenção não é essa. Queria trazer esta discussão para o blog pois é algo recorrente e que ainda nos deixa transtornados e cegos muitas vezes, em discutir assuntos de maneira tão rasa mulher branca pode usar turbante?  com quem não faz nenhuma questão de nos entender.

turbante-negros

Vamos nos fortalecer enquanto povo negro. Blogueiras, youtubers, músicos, estudiosos acadêmicos (por que não?), comunicadores e profissionais de todas as áreas onde já estamos ou ainda não temos o espaço que nos é de direito, vamos ocupar. Mas vamos ocupar juntos!

A caminhada quando é feita sozinha é bem mais dolorosa. E mais uma vez, sejamos nós por nós e isso não foi escrito e muito menos dito da boca pra fora.

Por Kelly Souza

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2 thoughts on “A saúde mental do povo negro ou sempre seremos nós por nós mesmos”

  1. Parabéns Kelly, apoio totalmente o seu texto. Seu blog tem sido uma inspiração, fico chateada ao ver que o povo negro é o único povo que ainda hoje se divide entre si. Uns acham até que não existe racismo e que a MULHER negra é escandalosa e exagerada. Se pudésssemos aprender com o passado no qual os africanos vendiam os seus para serem escravizados (inclusive aqui no Brasil- assim vieram muitos navios negreiros), se pudéssmos raciocinar o que esta divisão nos causou. São centenas de anos de escravidão e ainda hoje ela existe, pois a candeia pode não estar mais em nossos tornozelos, mas continuam nas nossas mentes: nos obrigando a nos ver inferiores, pensar e alcançar só o que nos é dado e NUNCA ousar questionar essa sociedade escravista. Somos nós por nós, mas você não está sozinha.

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