cabelo, empoderamento, feminismo, Pele, racismo, representatividade

Não é só por estética, mas é por estética também

“Não é só por cabelo”. Já falei sobre isso aqui e aqui. Realmente não é “só” por cabelo, mas também é sobre ele. Falar sobre a estética negra sempre gera discussões enormes, pelo fato de algumas pessoas discordarem dessa abordagem.

Falo sobre a estética negra com orgulho. Sobre aquele cabelo crespo que todos chamavam (muitos ainda chamam) de duro e bombril. Sobre o nariz largo e a pele preta.

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Modelos com cabelo de “bombril”

Analisando a história, voltamos em 1966 durante o Movimento Black Power e os militantes do Panteras Negras. Os “Black Panthers”, Panteras Negras, tinham a finalidade inicial de patrulhar os bairros negros periféricos para proteger seus moradores da crueldade e brutalidade da Polícia. Como sabemos, depois de vários movimentos, passaram a se portar como um grupo revolucionário que defendia o armamento de todos os negros entre outras reivindicações.

Com suas roupas pretas e cabelos armados com a ajuda de pentes garfo, afirmavam com toda a convicção o que a sociedade norte americana insistia em negar: o negro é lindo. O cabelo e a pele do negro são lindos. Obviamente o movimento se estendeu para outros países, inclusive o Brasil.

Época em que existia um programa de TV, onde negros pareciam para dançar black music e mostrar sua elegância e beleza. Caso isso fosse em 2016, mandariam fechar o canal de TV, certamente.

Engana-se quem pensa que a estética não faz parte da militância. Temos questões tão importantes quanto para discutirmos, mas empoderar uma mulher negra ainda continua sendo um ato de resistência.

Mulheres e homens negros, assumam seus cabelos e seus corpos. Continuaremos sendo apontados, afinal somos pretos é isso parece uma ofensa aos olhos dos racistas, mas precisamos resistir.

Obviamente que não podemos fazer somente pela estética, nossos jovens estão morrendo, estão presos e sem oportunidade e isso nunca deverá ser deixado para trás.

Não queremos que seja só por cabelo, não somos uma geração vazia. Sabemos da importância da militância e da valorização da estética negra.

Quanto mais nos empoderarmos, mais fortes estaremos para conseguir lutar por nossas irmãs e irmãos. E mais uma vez, nunca será só por cabelo mas é por cabelo também.

 

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4 comentários em “Não é só por estética, mas é por estética também”

  1. Essa frase ” não é só pelo cabelo, mas pelo cabelo tbm” resume muito do que temos militado. Assumir o meu cabelo foi uma libertação. Eu sempre estudei sobre a cultura negra, meu TCC foi sobre isso, e trabalhos extra curriculares também.
    Porém continuava alisando o meu cabelo por ter sido ensinada a considerá -lo feio e inferior. Quando eu assumi o meu cabelo tudo veio a tona. Descobri que tinha sido preconceituosa comigo mesma. E assumi-lo significava mais do que estética, mas era estética também. Significava libertação dos meus preconceitos. Das imposições colocadas sobre mim. E a partir de então venho compreendendo ainda mais a situação do negro no Brasil.
    E meu cabelo. Bom, ele se tornou um manifesto. É inversão do contesto. E Milito com ele também para ensinar outras irmãs a se amarem!
    Parabéns pelo blog. Forte abraço irmã!

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