cabelo, empoderamento, racismo

Consumo consciente?

Todos os dias insistimos e batemos na tecla do Empoderamento negro. Nós mulheres negras, estamos nos aceitando cada dia mais, nos amando cada dia mais. Nossos cabelos crespos deixaram de ser cabelos “ruins” aos nossos olhos e nosso nariz deixou de ser feio para nós.

Mas diante de tudo isso, há um ponto que precisa ser discutido e levado em consideração. Outro padrão está nos alcançando e não estamos percebendo quando continuamos a falar sobre o Empoderamento.

Que a sociedade, a TV, o cinema e as revistas não aceitam nossos cabelos crespos é evidente. Por um momento pensei que estivéssemos lutando contra esses padrões que nos foram impostos por toda a vida.

 

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Foto: Reprodução |Novo comercial da Marisa

Nosso potencial financeiro aumentou (felizmente), podemos consumir produtos de maquiagem, laces, cremes e quase tudo o que nos oferecem. Mas até onde esse poder de compra interfere em nossa estética?

Minha humilde opinião (que não tem nenhuma base acadêmica) me permite dizer que estamos mais uma vez sendo guiadas pelo mesmo sistema que nos engoliu por anos.

Consumimos sem nem nos atentar que estão novamente escondendo nossos cabelos, estão afinando nossos traços e estão clareando nossa pele.

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Nova linha de coloração para cabelos “cacheados” (como sempre). Houve clareamento da pele das meninas?

Muitas e muitos podem discordar do que escrevi aqui, porém apenas reflitam, por um segundo. Certamente me diriam que somos livres para fazer o que bem entendermos com nossos corpos, incluindo como vamos usar nosso cabelo ou como nos sentimos bonitas da maneira que bem entendermos e até mesmo citar uma certa “ditadura do cabelo natural”. Concordo quando dizem que somos livres e temos total poder sobre nossos corpos, porém essa ditadura não existe e bem sabemos que por trás desse poder está novamente o embranquecimento.

Enquanto corroboramos com esse novo padrão, não conseguiremos amar nossos traços e cabelos. Não conseguiremos ostentar nossa negritude por meio da nossa estética. (Em hipótese alguma estou colocando que uma mulher com o cabelo crespo é mais negra que uma de cabelos alisados. Se foi isso que você entendeu, por favor leia novamente.)

As vezes me sentia nadando contra a maré. Porém essa maré era de uma sociedade embranquecida é que me forçava a permanecer dentro de seus padrões. Hoje infelizmente não sei quem faz parte dessa maré.

De qualquer maneira, seguimos na luta.

Por Kelly Souza

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2 thoughts on “Consumo consciente?”

  1. Kelly, eu tenho que concordar, e observei não sei se o mesmo que você mas algo semelhante, apesar das pretas estarem ganhando espaço, a maioria delas ostentam alguns privilégios digamos assim, ela representam grande parte de nós, mas não por culpa delas, e sim por culpa de padrões são mais aceitas do que pretas mais retintas e mais crespas. É quase como se a mídia em geral dissesse:”Ser preto é bonito, mas só até esse tom, e sem passar muito do cabelo tipo 3″. Essas pretas mais claras merecem esse espaço e ser representadas, mas a luta continua pra que todas as outras ganhem espaço, por que entre nós há uma diversidade muito grande, e com ela necessidades variadas.
    Espero ter entendido seu texto, pois gostei muito.
    Beeeeijos *-*

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