Cultura, empoderamento, música

O Carnaval de volta às origens

Bom, mais um carnaval chegando e dessa vez bem mais animador.

Durante os últimos anos, BH passou por um turbilhão de novidades. A cidade que até então ficava jogada às traças durante o período de carnaval, passa a ser uma das cidades mais movimentadas de Minas Gerais. O que é de fato muito bom.

Mas como nem tudo são flores, como sempre as problematizações aparecem. Presenciei situações racistas (black face na rua, com direito a peruca black power) em 2015, um carnaval cada vez mais embranquecido e uma apropriação cultural sem tamanho.

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Black face. Aprendam que isso não é somente uma fantasia, ok?!

Não sei como anda o carnaval em outras cidades tradicionais de Minas Gerais (Ouro Preto, Diamantina, Tiradentes), mas acredito que não seja muito diferente.

Falo somente sobre o carnaval de rua. Não entrarei nos méritos dos desfiles, uma vez que é um assunto a ser discutido em outra ocasião. O problema é muito maior devido à exposição e hiper sexualização da mulher negra, onde todos acham extremamente normal. Enfim…

A maioria dos blocos de rua de BH tem uma única cara: branca. Pensando nesta questão, em 2016 teremos vários blocos Afro nas ruas! As pessoas deixaram de reclamar e colocaram a mão na massa, como disse uma das idealizadoras do Bloco Angola Janga.

Trazer o carnaval de volta às origens era o que precisávamos. Ver pessoas negras sendo representadas por quem de fato pode fazer isso (e não pessoas de pele branca com adornos relacionados à baianas, turbantes e/ou perucas black power).

Não digo que devemos parar de acompanhar os demais blocos, mas fazê-lo com consciência nos deixa bem mais fortes.

Um dos blocos que sairá neste carnaval em Belo Horizonte, é o Angola Janga. O bloco tem como objetivo trazer o público negro periférico para a folia. Foi criado por pessoas negras e conhecedoras da causa e militância.

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Bloco Angola Janga

O nome “Angola Janga” foi inspirado no quilombo Afro Angola Janga, mais conhecido como Palmares. “O bloco nasceu de uma percepção nossa sobre a questão da elitização do Carnaval, em que a essa tradição popular está cada vez mais distante da cultura negra e do público de periferia. Nos inspiramos em outros grupos da Bahia que já fazem blocos de Carnaval assim, como o Olodum e Timbalada”, destaca a revisora Nayara Garófalo,  uma das fundadoras do Angola Janga em entrevista ao Jornal O Tempo.

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Bloco Angola Janga – Foto: Ana Patrícia Mendonça
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Bloco Afro Magia Negra – Foto: Facebook
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Afoxé Bandarerê – Foto: Ana Mendonça

 

Entre os blocos afro que estarão nas ruas, estão também o Bloco Magia Negra, Afoxé Bandarerê e Dreadlocko. Vale a pena conferir, lembrando que os ensaios já estão a todo o vapor!

Compareça e fortaleça nossos irmãos. Independente de onde você esteja, valorize  a sua cultura e o seu povo!

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Agenda de Blocos Afro Carnaval de Belo Horizonte 2016

Afoxé Bandarerê: Sábado, 06/02/2015, concentração às 13h na Praça do México, Concórdia.

Dreadlocko: Sábado, 06/02/2015, concentração às 16h na Praça da Estação.

Bloco Angola Janga: Domingo, 07/02/2015, concentração às 16h na Rua da Bahia, no monumento da Floresta, esquina com Guajajaras.

 

BBP

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