empoderamento, feminismo, representatividade

O racismo nosso de cada dia

2015. Quase 2016 e ainda estamos vivenciando situações inadmissíveis em relação ao racismo.

Nos últimos meses acompanhamos violência policial (que é rotineira, mas a imprensa prefere não mostrar) e ataques racistas a atrizes globais. Coisas de proporções bem diferentes, mas que cabem na discussão.

O que quero ressaltar neste post é este racismo às atrizes. Acompanhamos ataques racistas nas redes sociais às atrizes Tais Araújo, Cria Viana e Sheron Menezes, além da Maria Júlia Coutinho ( que é a que sai um pouco do padrão, bem pouco). Todos nós sabemos que estas mulheres são lindas, sim mas são mulheres num padrão de negritude que é aceito socialmente, principalmente pela TV.

O nariz fino, o cabelo com cachos bonitos, o corpo violão. Então, a questão que quero levantar é a seguinte: se isso acontece com mulheres famosas e no padrão aceito pela sociedade, que ocupam lugares importantes, o que será que as mulheres negras fora desse padrão não passam? Toda força à estas mulheres, claro. Sempre! O triste é perceber  diante desse fato, que jamais teremos alguma atriz parecida com Lupita Nyong’o nas novelas e telejornais brasileiros. Nunca! Cabelo crespo, pele preta, fora dos padrões e estereótipos.

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Taís Araújo | Sheron Menezes | Cris Viana | Maria Julia Coutinho
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Lupita Nyong’o

Nesta semana, a Tag #SeráQueÉRacismo foi levantada no Facebook  para que questões cotidianas vivenciadas por nós sejam vistas e repensadas pela sociedade opressora. E o que estamos acompanhando é de chorar, de quase nos matar de raiva e de indignação visto que há muitas pessoas que ainda acreditam que vivemos num país onde há igualdade racial. Onde a preocupação é a comparação do racismo com outras formas de preconceito e tentar provar que todos os preconceitos são iguais. A falta de empatia ao falar-se em vitimismo ou racismo reverso.

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Um país onde há genocídio da população negra, onde mulheres negras são cada vez mais encarceradas e escorraçadas nas redes sociais, onde não sentam ao nosso lado no ônibus, onde atravessam a rua ao ver um negro chegar perto, onde somos obrigadas a assumir papeis subalternos, pois é o que a sociedade embranquecida quer e tem certeza de que são nossos lugares.

Como se não bastasse, nos últimos dias, um cantor baiano (Bell Marques) criou uma música para o Carnaval simplesmente desvalorizando a estética negra e contribuindo para a visão deturpada e preconceituosa do cabelo da mulher negra, numa cidade onde a maioria da população é, espantem-se: negra. Confira a letra do desserviço:

“Minha nega, vai lá no salão faz aquele corte que seu nego gosta de te ver
Me trás seu coração, porque essa noite só vai dar eu e você

Com esse amor ninguém pode
Só água na cabeça
Pra apagar o fogo
Ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha

Ô tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Ô mainha, mas eu só gosto do cabelo de chapinha, mainha
Ô tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho
Tá liso, tá lisinho. Tá liso, tá lisinho”

O fato é que ainda há muito pelo que lutar e nossa luta não pode ficar somente na internet. Precisamos nos movimentar. Falo também por mim, que gostaria de fazer muito mais pelo nosso povo e acho que faço tão pouco.

Que 2016 seja um ano de luta! Na verdade, não precisamos esperar 2016, podemos começar agora. Não somente de luta na internet (não desmerecendo, pois acredito que também seja uma luta válida), mas também física. Vá às manifestações, empodere as pretas, contribua pelo fim do racismo nas escolas, crie!

“Povo negro unido é povo negro forte”.

Sempre nós por nós.

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