empoderamento, feminismo

O feminismo negro de Lélia Gonzalez

Vamos tratar de um assunto importantíssimo: A mulher negra e o feminismo.

Uma das mulheres mais influentes e com representatividade no feminismo negro, ganhou uma (modesta) exposição no CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil / Belo Horizonte na última semana.

A exposição Lélia Gonzalez – O feminismo negro no palco da História, retratou sua trajetória no movimento negro, assim como sua história de vida.

Mulher negra, bacharel em Filosofia, com licenciatura em História e Geografia e mestre em Comunicação pela UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Lélia militou contra o machismo e o racismo, exercendo papel fundamental no crescimento dos movimentos negros contemporâneos. Fundadora do MNU – Movimento Negro Unificado, Lélia teve obras literárias e vários artigos publicados, com a temática voltada para o povo negro.

“Foi então que uns brancos muito legais convidaram a gente pra uma festa deles, dizendo que era pra gente também. Negócio de livro sobre a gente. Eles tavam tão ocupados, ensinando um monte de coisa pro crioléu da platéia, que nem repararam que se apertasse um pouco até que dava pra abrir um espaçozinho e todo mundo sentar junto na mesa. Mas a gente foi eles que fizeram, e a gente não podia bagunçar com essa de chega pra cá, chega pra lá. A gente tinha que ser educado. E era discurso e mais discurso, tudo com muito aplauso. Foi aí que a neguinha que tava sentada com a gente, deu uma de atrevida. Tinham chamado ela pra responder uma pergunta. Ela se levantou, foi lá na mesa pra falar no microfone e começou a reclamar por causa de certas coisas que tavam acontecendo na festa. Tava armada a quizumba. A negrada parecia que tava esperando por isso pra bagunçar tudo. E era um tal de falar alto, gritar, vaiar, que nem dava mais pra ouvir discurso nenhum. Onde já se viu? Se eles sabiam da gente mais do que a gente mesmo? Teve uma hora que não deu pra agüentar aquela zoada toda da negrada ignorante e mal educada. Foi aí que um branco enfezado partiu pra cima de um crioulo que tinha pegado no microfone pra falar contra os brancos. E a festa acabou em briga… Agora, aqui pra nós, quem teve a culpa? Aquela neguinha atrevida, ora. Se não tivesse dado com a língua nos dentes… Agora tá queimada entre os brancos. Também quem mandou não saber se comportar? “

Epígrafe de abertura do texto “Racismo e sexismo na cultura brasileira”. In: Movimentos sociais urbanos, minorias étnicas e outros estudos. Brasília: ANPOCS, 1983.

O legado de Lélia Gonzalez é muito mais rico diante do que foi mostrado na exposição. Vale uma leitura com estudos mais aprofundados.


Dicas de leitura:

LEMBRANDO LÉLIA GONZALEZ Luiza Bairros – http://www.criola.org.br/artigos/LEMBRANDO_LeLIA_GONZALEZ.pdf

JORNAL DO MNU – http://blogueirasnegras.org/wp-content/uploads/2013/07/entrevista-lelia-mnu.pdf

PROJETO MEMÓRIA – LÉLIA GONZALEZ http://www.projetomemoria.art.br/leliaGonzalez/

ENEGRECENDO O FEMINISMO OU FEMINIZANDO A RAÇA: NARRATIVAS DE LIBERTAÇÃO EM ANGELA DAVIS E LÉLIA GONZALEZ – http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=37196

RELAÇÕES RACIAIS, GÊNERO E MOVIMENTOS SOCIAIS: O PENSAMENTO DE LÉLIA GONZALES 1970 – 1990 –

http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=35625

AS AMEFRICANAS: MULHERES NEGRAS E FEMINISMO NA TRAJETÓRIA DE LÉLIA GONZALEZ –

http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1278274787_ARQUIVO_Asamefricanas.pdf

Abraços e até a próxima! =)

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1 thought on “O feminismo negro de Lélia Gonzalez”

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